Programa de Pós-Graduação em História - PPGHP
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Item “Do cavalo à baia, nós não impaia”. Narrativas de Mulheres Vaqueiras nas Festas de Vaquejada na Paraíba – 2024(Universidade Estadual do Paraná, 2025-06-04) Pedroza, Eliana Barros; Junior, Jorge Pagliriani; http://lattes.cnpq.br/3644282667480930; http://lattes.cnpq.br/0043050952918248; Junior, Jorge Pagliriani; http://lattes.cnpq.br/3644282667480930; Pereira, Márcio José; http://lattes.cnpq.br/6428881358629853; Reisdorfer, Thiago; http://lattes.cnpq.br/5658850237898637A vaquejada, antes uma prática laboral, hoje é vista como uma prática esportiva e de lazer que movimenta a economia e a mídia, especialmente no Nordeste. Enquanto prática, a vaquejada foi por muito tempo espaço masculinizado, ou seja, era incomum ao corpo feminino derrubar um boi na faixa, em pé de igualdade com os homens. Atualmente, este cenário modificou-se, e temos as duplas de vaqueiras na “derrubada do boi”, passando elas a assumir, assim, o ofício de competidoras nas vaquejadas. Este estudo busca compreender a ressignificação das festas de vaquejada na Paraíba, a partir das experiências de quatro vaqueiras que enfrentam os desafios sociais e culturais desse universo. Para tanto, utilizaremos da metodologia da História Oral, da Análise de conteúdo e da Pesquisa-ação, promovendo um diálogo que explore relatos de vida, experiências, fatos e acontecimentos vividos por essas vaqueiras paraibanas. Como também serão consultadas fontes como acervos pessoais e cartazes de vaquejada, com o intuito de compreender os diferentes aspectos de suas experiências pessoais, identidades e memórias relacionadas à vaquejada. Por fim, apresentamos na criação de um flyer colaborativo, fruto da pesquisa-ação, com o objetivo de combater preconceitos, valorizar as vozes femininas e contribuir para uma história pública mais democrática.Item A Construção Histórica da Ditadura Militar: o caso do documentário "1964: Entre Armas e Livros" (2019)(Universidade Estadual do Paraná, 2026-03-30) Kozelinski, Iuriy Makohim; Mello, Ricardo Marques; http://lattes.cnpq.br/5690946182130826; http://lattes.cnpq.br/9790766052176269; Mello, Ricardo Marques; http://lattes.cnpq.br/5690946182130826; Meinerz, Marcos Eduardo; http://lattes.cnpq.br/3105511753770904; Bezerra, Paulo César Gomes; http://lattes.cnpq.br/5898771616721123A presente pesquisa analisa a construção histórica da Ditadura Militar brasileira feita pelo documentário 1964: Entre Armas e Livros (2019), produzido pela empresa Brasil Paralelo. A pesquisa parte da relação entre a Nova Direita e a Extrema Direita e sua reinterpretação do período ditatorial brasileiro, muitas vezes dissociada da historiografia acadêmica. O estudo está fundamentado em três eixos principais de análise: produção, narrativa e recepção da obra, seguindo a metodologia de análise filmográfica proposta por Douglas Kellner. A dissertação também se apoia no conceito de Cultura Histórica, desenvolvido por Jörn Rüsen, que permite observar como o passado é interpretado por diferentes públicos por meio de cinco dimensões: estética, cognitiva, política, moral e religiosa. O trabalho está estruturado em três capítulos. No primeiro, “A Produção”, investigamos a trajetória da Brasil Paralelo, desde sua criação, em 2016, até o lançamento do documentário em 2019, destacando como a empresa constrói uma imagem pública de independência, neutralidade e excelência técnica, enquanto estabelece conexões com figuras e discursos da Nova Direita. Essa análise é realizada com base em entrevistas, materiais institucionais e reportagens. No segundo capítulo, “O Documentário”, estudamos a narrativa da obra à luz das dimensões da Cultura Histórica, apresentando como o documentário adota uma perspectiva de reescrita da história da Ditadura sob uma ótica conservadora, anticomunista e que relativiza os crimes cometidos pelo regime. O terceiro capítulo, “Os Comentários”, foca na recepção da obra por meio da análise dos comentários publicados na página do YouTube do documentário. A partir de um corpus de mais de 76 mil interações, que equivale ao período de 2019 até 2022, investigamos como os espectadores interpretam e reagem à narrativa apresentada. Por fim, pretendemos evidenciar como o documentário da Brasil Paralelo funciona como uma ferramenta de construção histórica no ambiente digital, disputando interpretações sobre o passado e moldando a percepção pública da Ditadura Militar no Brasil contemporâneo.Item A presença e participação de mulheres na política eleitoral do Município de Mamborê – PR (1960-2020)(Universidade Estadual do Paraná, 2024-04-25) Sphair, Clarice Pereira de Melo; Priori, Claudia; http://lattes.cnpq.br/1391884709498230; http://lattes.cnpq.br/4336105441803095; Priori, Claudia; http://lattes.cnpq.br/1391884709498230; Pedro, Joana Maria; http://lattes.cnpq.br/0818383116633579; Almeida, Juniele Rabêlo de; http://lattes.cnpq.br/5588377981047859Essa pesquisa aborda a presença e participação de mulheres na política eleitoral do Município de Mamborê – PR (1960-2020), tendo como enfoque as relações de gênero e como base metodológica as discussões oriundas da História Oral e da História Pública. Busca analisar quais foram os desafios encontrados pelas mulheres já eleitas, bem como as razões que as encorajaram a seguir nesse campo historicamente ocupado por homens. Mesmo compondo a maioria entre o eleitorado, a maior parte das mulheres não se candidata para exercer uma função no Legislativo ou no Executivo, e como consequência, a história do município quase sempre teve uma Câmara de Vereadores dominada por homens. Entretanto, algumas mulheres conseguiram votos suficientes para ocupar uma vaga no Legislativo Municipal: Olga Antônia Brunetta (1982); Deomira Brunetta (1992); Sandra da Silva Nascimento Agostinho (2012) e Maria Thereza Pereira Murback (2020). O Executivo Municipal teve representação feminina nos pleitos de (1996 e 2008) com Deomira Brunetta e Márcia Regina Wansovicz Matozo, respectivamente, que foram eleitas e conquistaram esse espaço como vice-prefeitas. Para essa abordagem, nos pautamos em alguns referenciais, tais como Ricardo Santiago (2016), em que apresenta a História Pública como um campo da história que produz conhecimento “com o público e para o público”, assim como no conceito de “autoridade compartilhada”, de Michael Frisch (2016) para pensar a construção do conhecimento histórico. Para as reflexões sobre História Oral fundamentamo-nos em estudos de Marieta de Moraes Ferreira (1994), e para pensar as relações de gênero ancoramo-nos em pesquisas e registros de Flávia Biroli (2012), Joan Wallach Scott (1995) e Joana Maria Pedro (2017). Numa perspectiva de maior diálogo com os públicos e também de divulgação do conhecimento histórico produzido nessa investigação, propomos a realização de um documentário, a fim de tornar públicas as memórias e experiências das participações das mulheres na política eleitoral do município de Mamborê. Acreditamos que conhecer as experiências vivenciadas pelas mulheres que já ocuparam o espaço da política eleitoral, contribui para a dimensão pública da história e pode inspirar mais mulheres a ingressarem na vida pública e também reavivar a memória da população, ressaltando para atuais e futuras gerações, a importância da participação feminina nos espaços de decisões, principalmente nos de política eleitoral.Item Consciência histórica e YouTube: uma análise de “Tudo sobre a Ditadura Militar (1964-1985)” de Débora Aladim(Universidade Estadual do Paraná, 2026-04-17) Silva, Gabrielle Rodrigues da; Mello, Ricardo Marques; http://lattes.cnpq.br/5690946182130826; http://lattes.cnpq.br/9840365292959843; Mello, Ricardo Marques; http://lattes.cnpq.br/5690946182130826; Pereira, Márcio José; http://lattes.cnpq.br/6428881358629853; Granado, Helena Ragusa; http://lattes.cnpq.br/8354768515854306Esta pesquisa analisa como a consciência histórica se manifesta em contextos digitais, tomando como fonte o vídeo “Tudo sobre a Ditadura Militar (1964–1985)”, publicado no canal de Débora Aladim no YouTube, bem como os comentários deixados pelos usuários. O estudo busca compreender de que forma a produção do conteúdo audiovisual e a recepção do público expressam atribuições de sentido ao passado, articulações entre presente e futuro e orientações para a ação. A fundamentação teórica apoia-se nas contribuições de Jörn Rüsen, especialmente em sua concepção de consciência histórica e nas tipologias narrativas (tradicional, exemplar, crítica e genética), além de dialogar com autores da Educação Histórica, como Isabel Barca, e com estudos sobre história pública digital. A pesquisa caracteriza-se como um estudo de caso, no qual se analisam as estratégias narrativas e didáticas do vídeo em articulação com as manifestações de consciência histórica presentes nos comentários, considerando aspectos como articulação temporal, reflexão crítica, reconhecimento de permanências e mudanças históricas e aplicação do conhecimento em contextos contemporâneos. Os resultados indicam que a multiplicidade de interações revela diferentes formas de compreensão e apropriação do passado, variando de perspectivas tradicionais e exemplares a interpretações críticas e genéticas. Conclui-se que o YouTube pode ser compreendido como um espaço de história pública digital, no qual narrativas historiográficas circulam e são apropriadas e disputadas por diferentes públicos.Item História Pública dos Povos Vatwa e as suas tradições no sul de Angola(Universidade Estadual do Paraná, 2025-12-10) Gamba, Silvestre Lissekeivo Manuel; França, Cyntia Simioni; http://lattes.cnpq.br/1533088932330150; http://lattes.cnpq.br/5725213378494068; França, Cyntia Simioni; http://lattes.cnpq.br/1533088932330150; Nichnig, Cláudia Regina; http://lattes.cnpq.br/7664408692666022; Sakukuma, Alexandre SelomboEste estudo busca ouvir, acolher e compartilhar as memórias, experiências e narrativas dos povos vatwa,s residentes nas localidades de Cilaukila e Ciheke, município do Curoca, província do Cunene, Angola. Trata-se de povos que, até os dias atuais, preservam saberes e práticas ancestrais, como a caça, a dança e a recolecção de frutos silvestres. Busco acolher as memórias, as experiências e as narrativas orais destes povos, com o propósito de entender os sentidos e significados atribuídos a essas práticas ancestrais, bem como compreender sua função como formas de resistência às imposições e tentativas de globalização frente ao avanço da modernidade capitalista que vem exercendo suas influências como um rolo compressor de apagamento das práticas socioculturais. Esta pesquisa se ancora no aporte teórico de Walter Benjamin (1985), sobretudo em sua concepção de história vinculada às experiências e à rememoração. Os sujeitos da pesquisa são membros dos povos Vatwa, cujas memórias, elaboradas a partir de práticas de rememoração (Benjamin, 1985), possibilitaram a construção de narrativas históricas outras, ancoradas em uma perspectiva dialógica, interativa e colaborativa. Trata-se de uma investigação situada no campo da História Pública, por estabelecer um processo de produção de conhecimento histórico em diálogo com os sujeitos da história, através do princípio da autoridade compartilhada (Frisch, 2016).Item A influência de Call of Duty: Modern Warfare (2019) sobre o público jogador: concepção orientalista ou apenas entretenimento?(Universidade Estadual do Paraná, 2025-10-25) Arruda, Jair Pedro; Weber, Astor; http://lattes.cnpq.br/8416640847350451; http://lattes.cnpq.br/3818737056564034; Weber, Astor; http://lattes.cnpq.br/8416640847350451; Junior, Jorge Pagliriani; http://lattes.cnpq.br/3644282667480930; Granado, Helena Ragusa; http://lattes.cnpq.br/8354768515854306Esta pesquisa investiga como Call of Duty: Modern Warfare (2019) transcende a função de entretenimento para veicular discursos ideológicos, reforçando estereótipos orientalistas e narrativas geopolíticas ocidentais. Justifica-se a escolha do objeto pelo alcance cultural do jogo e por sua recepção controversa, especialmente quanto à representação de forças russas e de cenários do Oriente Médio. O quadro teórico articula a História Pública, o orientalismo de Edward Said (2007) e o neoconservadorismo segundo Justin Vaisse (2010), analisando os games como artefatos culturais inseridos em relações de poder. Metodologicamente, recorre-se à análise qualitativa e quantitativa de avaliações de jogadores na plataforma Metacritic, processadas com o auxílio da ferramenta Voyant Tools, somada à análise narrativa e procedural do jogo. Os resultados indicam que o título reproduz representações orientalistas, vilifica personagens russos e mobiliza memórias de conflitos reais – como a Rodovia da Morte no Iraque – para legitimar uma visão de mundo centrada no Ocidente. Confirma-se a hipótese inicial: Modern Warfare (2019) atua não apenas como entretenimento, mas como plataforma de discurso ideológico. Essa constatação insere os videogames no debate mais amplo sobre o papel das mídias na conformação do imaginário histórico e na reprodução de hegemonias culturaisItem LICITAR A MEMÓRIA: a ausência do historiador e a crise da gestão do patrimônio cultural a partir da contratação pública no Brasil(Universidade Estadual do Paraná, 2026-03-27) Souza, Wagner Fonseca; Fagundes, Bruno Flávio Lontra; http://lattes.cnpq.br/0107345200784230; http://lattes.cnpq.br/297675531732961; Fagundes, Bruno Flávio Lontra; http://lattes.cnpq.br/0107345200784230; Kobelinski, Michel; http://lattes.cnpq.br/1310902714344771; Arroyo, Michele Abreu; http://lattes.cnpq.br/2688487783829411Esta dissertação investiga o impacto dos processos de contratação pública na preservação do patrimônio cultural edificado no Brasil, fundamentada na hipótese de que o fracasso recorrente de licitações para obras de restauro é sintoma de uma patologia estrutural da gestão pública: o “fetiche procedimental”. Argumenta-se que essa obsessão pelo rito burocrático, ao ignorar a especificidade do bem cultural e priorizar critérios estritamente econômicos (menor preço), transforma o processo licitatório em agente de degradação e mercantilização da memória. O objetivo central é analisar como essa lógica administrativa promove o apagamento das camadas históricas e sociais do patrimônio cultural, resultando no que se define como “Memória Processual do Patrimônio Cultural”. A metodologia combina análise teórica, em diálogo com a História Pública, teoria da memória e economia da cultura, com a análise documental de marcos legais e processos licitatórios. A pesquisa aprofunda-se no estudo de caso do Palacete Scarpa (Sorocaba/SP), contrastando-o com outros cenários nacionais. Os resultados demonstram que a marginalização do saber especializado, notadamente o do historiador, reduz o patrimônio cultural a um objeto material acrítico. Conclui-se pela necessidade de uma reforma na gestão do patrimônio cultural no Brasil, que integre a sensibilidade histórica ao rito administrativo. Como produto final, apresenta-se a plataforma digital “PatrimoniON”, ferramenta voltada à democratização e à transparência da gestão do patrimônio cultural.Item História Pública do Santuário de Santa Ana na interface com a memória e experiência e pertença dos fiéis de Angola(Universidade Estadual do Paraná, 2026-04-17) Francisco, Joaquim Manuel; França, Cyntia Simioni; http://lattes.cnpq.br/1533088932330150; http://lattes.cnpq.br/0546982863479698; França, Cyntia Simioni; http://lattes.cnpq.br/1533088932330150; Nichnig, Cláudia Regina; http://lattes.cnpq.br/7664408692666022; Bambi, Fernando JonesEsta pesquisa produziu conhecimentos históricos em diálogo com os fiéis de Angola da região de Caxito sobre o significado que atribuem ao Santuário de Santa Ana. A partir de suas memórias das experiências religiosas, buscou-se compreender como essas narrativas contribuem para a preservação da fé e da identidade cultural. Trata-se de um santuário de devoção popular que atrai fiéis de diversas regiões de Angola. A metodologia foi ancorada pelo filósofo Walter Benjamin, (1985) para trabalhar com práticas de rememoração, por meio de produção de narrativas orais, com as populações locais. As narrativas foram condensadas em mônadas, um aporte teórico- metodológico benjamiano, que representam fragmentos de memórias individuais que traz os sentidos do tecido social-religioso imbricado com a cultura mais ampla. Esta pesquisa envereda pela história pública por produzir um diálogo colaborativo e dialógico com os fiéis pela via da autoridade compartilhada (FRISCH, 2016) em um espaço público.Os resultados da pesquisa demonstraram que o Santuário de Santa Ana ocupa um lugar central na vida dos fiéis de Caxito, assumindo significados que ultrapassam a dimensão estritamente religiosa. No plano espiritual, o santuário é percebido como um espaço de renovação da fé, de fortalecimento da esperança e de busca por milagres, curas e soluções para dificuldades familiares, financeiras e emocionais.Item Narrar para existir: memórias em trânsito em documentários sobre a ditadura (1964-1985)(Universidade Estadual do Paraná, 2025-03-30) Oliveira, Alexsandro Araújo; Amboni, Vanderlei; http://lattes.cnpq.br/9250782741810709; http://lattes.cnpq.br/5619305650956095; Amboni, Vanderlei; http://lattes.cnpq.br/9250782741810709; Mezzomo, Frank Antonio; http://lattes.cnpq.br/3360323221539136; Queiroz, Andréa Cristina de Barros; http://lattes.cnpq.br/1838955922491509Este trabalho parte de uma premissa fundamental: a memória não é um arquivo morto, um depósito de lembranças intactas à espera de serem resgatadas. Ela é, antes de tudo, um processo vivo, dinâmico e essencialmente político, um fluxo constante que se transforma ao circular entre sujeitos, tempos, suportes e contextos. É essa caracterização que buscamos capturar com a noção de memória em trânsito, ferramenta conceitual que desenvolvemos ao longo da pesquisa. Para mostrar seu potencial analítico, foram estudados sete documentários para compreender como as lembranças do período ditatorial brasileiro se movimentam, se reinventam e ganham (ou perdem) potência de intervenção no presente. Os sete documentários aqui analisados não foram escolhidos apenas por tratarem da ditadura militar sob diferentes enfoques, mas porque ajudam a pensar e a consolidar a própria noção de memória em trânsito. São eles: Que Bom Te Ver Viva (Lúcia Murat), Procura-se Irenice (Marco Escrivão e Thiago Mendonça), Retratos de Identificação (Anita Leandro), Testemunhos da Tortura: Ditadura Militar em Belo Horizonte (Catherine Dias Rodrigues), Hércules 56 (Silvio Da-Rin), Chapeleiros (Adrian Cooper) e O Chapéu do Meu Avô (Julia Zakia). Cada um, a seu modo, revela como as lembranças se deslocam no tempo, se reconfiguram no encontro com novos públicos e se transformam em campo de disputa simbólica. São obras que não apenas registram memórias, mas as colocam em circulação, fazendo do cinema um espaço privilegiado para observar o trânsito memorial em ação. Ademais, a reunião dessas obras se justifica justamente por compartilharem um traço comum fundamental: a articulação entre memória e violência de Estado no contexto da ditadura instaurada em 1964, mas, mais do que isso, por fazerem dessa articulação um dispositivo de ativação política. O eixo memória–ditadura–testemunho que as organiza se desdobra em pontos de convergência, como a utilização de arquivos como material de confrontação e a recusa do esquecimento como imperativo ético. O que procuramos demonstrar é que a potência da memória não está em sua pretensa fidelidade ao passado, mas em sua capacidade de se mover, de se conectar com novos presentes, de ser narrada e compartilhada. Caso contrário, ela se apaga, desaparece e morre. Como principal contribuição da pesquisa, a noção de memória em trânsito desloca o foco da História Pública da simples transmissão de conteúdos para a análise das condições de circulação do passado, isto é, quem pode narrar, o que pode ser visto e quais memórias são legitimadas ou silenciadas. A noção, neste sentido, atua como crítica à cristalização de narrativas históricas. Em vez de promover consensos ou versões pacificadas do passado, ela enfatiza o conflito e a pluralidade. Assim, a História Pública torna-se um campo de disputa contínua de sentidos, no qual o passado é constantemente (re)avaliado. Em relação à autoridade compartilhada, a memória em trânsito desloca o debate, no que a autoridade sobre o passado não é vista como algo simplesmente distribuído entre historiadores e públicos, mas um efeito instável de disputas e condições de visibilidade, indicando que mesmo em práticas colaborativas persistem assimetrias e conflitos. A noção permite (re)interpretar as quatro dimensões da História Pública (para, com, pelo e em relação ao público) como posições móveis dentro de um campo de circulação e disputa e não como categorias fixas.Item A ideia de raça no debate público da campanha abolicionista a partir das visões de Sílvio Romero e José do Patrocínio (1880-1888)(Universidade Estadual do Paraná, 2025-12-19) Bueno, Paulo José Santos; Silva, Ricardo Tadeu Caires; http://lattes.cnpq.br/6521759429378336; https://lattes.cnpq.br/6464692241641799; Silva, Ricardo Tadeu Caires; http://lattes.cnpq.br/6521759429378336; Pirateli, Marcos Roberto; http://lattes.cnpq.br/3031442948722469; Chaves, Otávio Ribeiro; https://lattes.cnpq.br/0591671557668004; Perin, Conceição Solange Bution; https://lattes.cnpq.br/8838312470687058Este trabalho buscou compreender como a ideia de raça foi veiculada no debate público brasileiro da segunda metade do século XIX, no contexto da campanha abolicionista (1870- 1888). Para tanto, utilizamos como referência os posicionamentos do crítico literário Sílvio Romero e do jornalista José do Patrocínio, bem como de outros abolicionistas brasileiros. A escolha destes dois intelectuais públicos foi feita levando-se em conta a importância que os mesmos assumiram no referido contexto, defendendo posições antagônicas no que se refere à compreensão da sociedade brasileira. Para a elaboração do trabalho, foi necessário compreender e historicizar a emergência da opinião pública no país a partir do crescimento da imprensa periódica, em especial na segunda metade do século XIX, quando os jornais passaram a ser uma ferramenta fundamental para o exercício da opinião pública. Nesse sentido, foi por meio dos jornais e revistas que esses e outros importantes intelectuais expressaram suas visões acerca da noção da raça e sua relação com a campanha abolicionista e o futuro do Brasil como nação em formação. Além disso, foi preciso historicizar como e quando as teorias raciais penetraram na sociedade brasileira e como foram assimiladas pelos abolicionistas.Item Minhas mãos, meu pandeiro: um documentário sobre Jorginho(Universidade Estadual do Paraná, 2025-10-27) Ribas, Andro Gustavo Baldan; Cavanna, Federico José Alvez; https://lattes.cnpq.br/6710867357846918; https://lattes.cnpq.br/1836105676077623; Cavanna, Federico José Alvez; https://lattes.cnpq.br/6710867357846918; Junior, Jorge Pagliriani; http://lattes.cnpq.br/3644282667480930; Aragão, Pedro de Moura; https://lattes.cnpq.br/0219242822995201Esta pesquisa procura ser um elo complementar entre a dissertação e um vídeo documentário intitulado “Minhas mãos, meu pandeiro: um documentário sobre Jorginho” disponível no YouTube ( https://youtu.be/ySA2UK2LgA4 ) que tem como objetivo estudar o legado histórico e cultural deixado por Jorge José da Silva, o Jorginho do Pandeiro. O Choro é considerado o primeiro gênero musical urbano brasileiro e surgiu na segunda metade do século XIX no Rio de Janeiro e, dentro de sua formação instrumental característica, o principal instrumento de percussão é o pandeiro. A maneira escolhida para aproximar a figura do Jorginho, tendo como base as características da história pública na sua elaboração, foi por meio de conversações realizadas na cidade de Rio de Janeiro – RJ, no primeiro semestre de 2024, além de estudos realizados em materiais fonográficos de gravações com a participação de Jorginho e a busca por bibliografias relacionadas aos temas centrais, como a história do choro, história pública, biografias de figuras do Choro e ensino do Choro por tradição oral. Como resultado buscamos construir um documentário que seja um elo entre a história da música brasileira e a história pública apresentando a importância do cenário social do Choro dentro da historiografia e seu legado através desse personagem de protagonismo em conversas gravadas com diversos atores que compartilham deste legado das mãos e do pandeiro do mestre Jorginho, como é carinhosamente chamado por eles.Item QUANDO OS VIVOS VISITAM OS MORTOS: O cemitério municipal de Maringá como lugar de memória e História Pública(Universidade Estadual do Paraná, 2025-08-21) Tozatti, Adriana Quintino Sanchez Palacio; Kobelinski, Michel; http://lattes.cnpq.br/1310902714344771; http://lattes.cnpq.br/1780910401370397; Kobelinski, Michel; http://lattes.cnpq.br/1310902714344771; Weber, Astor; http://lattes.cnpq.br/8416640847350451; Latysh, Yurii; http://lattes.cnpq.br/9136639075738180; Torres, Francisco Eversley; Ariza, Ian Farouk SimmondsEsta dissertação investiga os usos públicos do Cemitério Municipal de Maringá -PR sob a perspectiva da História Pública, tomando como eixo analítico as práticas culturais e patrimoniais desenvolvidas no projeto “Volta Histórica – Cemitérios”, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura e pela Gerência de Patrimônio Histórico de Maringá-PR. A partir de abordagem etnográfica e observação participante, analisa-se como o espaço cemiterial é apropriado para além de sua função funerária, constituindo-se como lugar de memória e mediação histórica na produção de narrativas e identidades locais. O estudo examina roteiros temáticos, com destaque para aqueles dedicados às trajetórias femininas e aos sepultamentos infantis, discutindo potencialidades e tensões da História Pública na ampliação do acesso às narrativas e na valorização de experiências historicamente marginalizadas. Compreendido como território simbólico e social, o cemitério evidencia disputas, silenciamentos e processos de negociação do passado no espaço urbano. Assim, as visitas guiadas são interpretadas como instrumentos centrais de engajamento público e construção de sentidos históricos, reafirmando o cemitério como lugar dinâmico de memória e produção narrativa.Item História Pública, Educomunicação e Comunicação Pública: Trânsitos possíveis a partir das narrativas históricas institucionais no “Norte Pioneiro” do Paraná(Universidade Estadual do Paraná, 2026-08-2025) Dedoné, Tiago Silvio; Junior, Jorge Pagliarini; http://lattes.cnpq.br/3644282667480930; http://lattes.cnpq.br/2182145370502420; Junior, Jorge Pagliarini; http://lattes.cnpq.br/3644282667480930; Weber, Astor; http://lattes.cnpq.br/8416640847350451; Nishikawa, Taíse Ferreira da Conceição; http://lattes.cnpq.br/3005427372065943Como as prefeituras comunicam suas histórias em seus portais oficiais? Essa pergunta direta se desdobra na interpretação de que há um nexo, nitidamente estreito, entre os campos da História Pública, Comunicação Pública e a Educomunicação. Tal afirmação (ou hipótese) é fruto de dois aspectos fundantes: o primeiro, a experiência vivida por este pesquisador na intersecção destes campos, ao longo de duas décadas de pesquisas e práticas laborais sobre o fomento de ecossistemas comunicacionais democráticos, ancorados na práxis da Educomunicação e dos registros das narrativas do tempo; segundo, na Comunicação Pública, igualmente sob o aporte deste mesmo recorte temporal, engendrado no redirecionamento da ótica até então direcionada ao campo da comunicação governamental institucional. Soma-se a isso, o advento do campo da ciência historiográfica, a partir da História Pública, que, ao tecer o exercício desta convergência, articula contributos que encontram, nas duas áreas anteriores, diálogo epistemológico concreto, já que ambos os campos, além de coexistirem a partir dos fenômenos que circundam os públicos – ou audiências – pressupõem circularidade, engajamento, protagonismo, consciência histórico-crítica e autoridade compartilhada. Isto posto, o objetivo desta pesquisa é demonstrar a existência do ponto de intersecção, na mobilização de atores sociais, bem como, direcionar o olhar de atenção sensível, para as narrativas do tempo histórico presentes nos portais oficiais das Prefeituras de Andirá, Santa Amélia, Itambaracá e Bandeirantes, no “Norte Pioneiro” do Paraná – recorte espacial da pesquisa. Essas leituras apontam para a inevitabilidade de considerações de natureza ontológica, já que as reflexões aqui investigadas levam à conclusão de que é preciso pensar sobre o que existe, como existe ou quais são os princípios fundamentais que sustentam a realidade histórica narradas nestes espaços comunicacionais públicos. Para esta decodificação, a pesquisa utiliza como método a Análise do Discurso Crítica (ADC), além da Educomunicação, entendida como campo de interfaces. Esse exercício historiográfico está ancorado tanto em atividades de dimensão propositiva, de análise dos portais municipais, estudadas pelos conteúdos das suas narrativas históricas e pela realização de pesquisa com seus gestores, quanto em atividade de dimensão propositiva, com apresentação de práticas dialógicas focadas na apresentação de novos usos para os sites municipais.Item História Pública e Literatura: as representações acerca dos bandeirantes e da sociedade colonial brasileira nos romances da Coleção Saraiva entre 1948-1961(Universidade Estadual do Paraná, 2024-12-18) Souza, André Wilson Paula de; Silva, Ricardo Tadeu Caires; http://lattes.cnpq.br/6521759429378336; http://lattes.cnpq.br/3632976723478713; Silva, Ricardo Tadeu Caires; http://lattes.cnpq.br/6521759429378336; Pirateli, Marcos Roberto; http://lattes.cnpq.br/3031442948722469; Éder da Silva Novak; http://lattes.cnpq.br/5735765703072832O presente trabalho teve por objetivo discutir os usos da literatura de cunho histórico na divulgação de representações sobre os bandeirantes e sobre a sociedade colonial brasileira, a partir da análise dos romances da Coleção Saraiva, Borba Gato (1955) e Gigante de Botas (1961). Nesse sentido, busquei problematizar a literatura como meio de difusão do conhecimento histórico e de suas representações para o grande público, em uma época em que a mídia impressa se constituía como a principal forma de disseminação de informação e conhecimento no Brasil. Sobretudo, procurei debater sobre a construção da figura do bandeirante enquanto herói, partindo da premissa de que, embora tenha sido a historiografia oficial cunhou a figura mítica do bandeirante, foram os livros didáticos e, em especial, a literatura romanesca os grandes responsáveis por sua popularização. Logo, tais obras contribuíram, tanto politicamente quanto ideologicamente, para com uma determinada elite, uma vez que compactuou com a historiografia subordinada a tal força da época. Para o desenvolvimento deste estudo, adorei como referencial teórico-metodológico os pressupostos da Nova História Cultural, em especial os aportes do historiador francês Roger Chartier, por meio dos conceitos de representação e apropriação, assim como da historiografia que discute o período colonial e a História Pública.Item O Gótico Está (Morto)-Vivo: Memórias de góticos de Curitiba - PR na interface com a subcultura(Universidade Estadual do Paraná, 2025-09-25) Pereira, Beatriz Carazzai; França, Cyntia Simioni; http://lattes.cnpq.br/1533088932330150; http://lattes.cnpq.br/4856069977891072; França, Cyntia Simioni; http://lattes.cnpq.br/1533088932330150; Granado, Helena Ragusa; http://lattes.cnpq.br/8354768515854306; Sá, Daniel Serravalle de; http://lattes.cnpq.br/7255297014204594; Ventura, Lidnei; http://lattes.cnpq.br/9553407104950703Esta pesquisa é resultado do programa de História Pública da UNESPAR (Campo Mourão), e acolhe as memórias de góticos em Curitiba-PR através de práticas de rememoração realizadas em encontros com cinco integrantes da subcultura, buscando compreender os sentidos que eles atribuem ao Gótico, tendo como base teórico-metodológica a filosofia de Walter Benjamin. Os encontros ocorreram entre janeiro e março de 2025, consistindo em cinco oficinas temáticas sobre o Gótico, explorando identificação subcultural, a morte e cemitérios, boemia e vida noturna, moda e indumentária e política. As narrativas resultantes foram elaboradas em mônadas no diálogo com o método monadológico benjaminiano, unindo as particularidades dos indivíduos ao universal, buscando situar experiências góticas no tempo e espaço, e contextualizando as manifestações artísticas da subcultura e sua cena curitibana no cenário de comodificação das artes e identidades sob o enfrentamento do capitalismo neoliberal. Os resultados mostram que o Gótico produz sentidos para identificações prévias com elementos estéticos góticos, organizando estas identidades de forma social (Silva, 2006). Estas identidades são expressas de diferentes modos na indumentária gótica, que desafia papéis de gênero, conforme os princípios DIY resistem ao fast fashion e a comodificação de subculturas nas aesthetics. A subcultura dialoga com o passado (Goodlad; Bibby, 2007) através do contato com cemitérios e espaços boêmios, promovendo uma ocupação revolucionária do espaço público em meio à sua privatização, resistindo ao esfacelamento das relações sociais coletivas, e inserindo e integrando manifestações artísticas alternativas ao cotidiano urbano. Estes elementos revelam que o Gótico se insere nos debates políticos da sociedade conforme seu contexto histórico, refletindo e protestando contra melancolia como sintoma de alienação na modernidade (Matos, 2010) através da alternatividade comunicativa (Spracklen; Spracklen, 2018).Item Miguel Nekaka: Suas marcas (in)visibilizadas na história pública do povo Kongo(Universidade Estadual do Paraná, 2025-06-13) Vicente, Mpambani Matundu; França, Cyntia Simioni; http://lattes.cnpq.br/1533088932330150; http://lattes.cnpq.br/7953708291090213; França, Cyntia Simioni; http://lattes.cnpq.br/1533088932330150; Agostinho, Yuri Manuel Francisco; http://lattes.cnpq.br/9011058537644661; Massanga, Joaquim Paka; http://lattes.cnpq.br/0443265427453346; Paim, Elison Antonio; http://lattes.cnpq.br/8695520812750828Esta dissertação tem como objetivo acolher as narrativas das autoridades tradicionais e do ancião, por meio da tradição oral, sobre a memória de Miguel Nekaka, no sentido de compreender as suas as marcas (in)visibilizadas e o seu contributo na formação da consciência revolucionária kongo na luta contra o colonialismo. A pesquisa surge como resultado dos diálogos nas rodas de conversas com a minha mãe, das minhas indignações sobre os heróis do 4 de fevereiro que nunca serão esquecidos, da modernidade capitalista que vem causando crise na tradição oral, o declínio da narrativa e da partilha de experiência em Mbanza Kongo, e do silenciamento/esquecimento, seja ele intencional ou não, das figuras históricas angolanas da primeira dimensão. A nossa pesquisa insere-se no campo da História Pública, destacando a sua primeira dimensão história com o público, onde buscamos ouvir atentamente os protagonistas (autoridades tradicionais e do ancião) e recolher suas narrativas sobre a memória de Miguel Nekaka, desenvolvendo uma relação dialógica e a partir do viés da autoridade compartilhada (Frish, 2016). A dimensão histórica com o público, nesta pesquisa, é relacionada com a dimensão história para o público com o propósito de produzir um material didático que alcance públicos mais amplos (acadêmicos e não acadêmicos) de Mbanza Kongo, em particular, e de Angola, em geral. Para o desenvolvimento do coro teórico-metodológico, buscou-se suporte em Walter Benjamin (1985) que, através das práticas de rememoração, acolho narrativas e memórias dos protagonistas de pesquisa sobre a memória de Miguel Nekaka. Para o desenvolvimento da pesquisa, trabalhamos com as narrativas de autoridades tradicionais e ancião (nossas fontes primárias) e as literaturas (fontes secundárias). As narrativas de autoridades tradicionais e ancião trazem consigo outras versões de histórias ainda desconhecidas ou que muitas vezes incorrem nos perigos da “história única”, aquela a qual nos alerta Chimamanda Adichie (2019). Ao mesmo tempo, penso que resistir às narrativas, que pouco falam ou trazem de Mbanza Kongo, é um exercício que a contrapelo pode trazer outros atores, personagens e versões de uma Angola mais próxima da diversidade e da pluralidade que contempla.Item Memórias e narrativas dos professores na relação com espaços públicos da cidade de Promissão/SP: uma formação pela via estética(Universidade Estadual do Paraná, 2025-05-09) Monteiro, Emily Vitória Neves; França, Cyntia Simioni; http://lattes.cnpq.br/1533088932330150; http://lattes.cnpq.br/3821050901208551; França, Cyntia Simioni; http://lattes.cnpq.br/1533088932330150; Rodrigues, Divania Luiza; http://lattes.cnpq.br/7170935324820591; Cunha, Nara Rúbia de Carvalho; http://lattes.cnpq.br/4787129577624171Este trabalho tem como objetivo produzir conhecimentos históricos educacionais em diálogo com as memórias de professores do Ensino Básico da cidade de Promissão – SP. Partindo da compreensão de que a modernidade capitalista atrelada à aceleração dos acontecimentos, propõe-se um movimento a contrapelo desse fluxo, refletindo sobre as experiências passadas e presentes da cidade em que os professores estão inseridos. A cidade será abordada como um campo de experiências e, por meio de uma formação docente, investigaremos como os docentes estabelecem suas relações com o espaço em que vivem. Para compreender essa ideia, iremos dialogar com o filósofo Walter Benjamin (1985) que, entre seus diversos trabalhos, analisa o avanço da modernidade capitalista como um dos fatores para a perda da narrativa e da experiência, ao mesmo tempo em que estimula reinventar outras formas de narrar e viver nesse tempo com mais qualidade e experiências coletivas. Para isso, desenvolvi um projeto de formação docente que foi fundamentado em práticas de rememoração, expressas em narrativas orais, escritas e iconográficas, que revelam as imagens de como os professores se relacionam com a cidade em que vivem. As narrativas foram elaboradas em mônadas, aporte teórico-metodológico benjaminiano que, por meio de fragmentos de memórias, apresenta imagens do mundo em miniatura (cidade de Promissão-SP) articulado com as experiências mais amplas da cultura. Além disso, o trabalho envereda pela área de História Pública ao propor um conhecimento produzido com o público (Professores) a partir do princípio da autoridade compartilhada (Frisch, 2016) e ao construir caminhos para uma formação docente dialógica, colaborativa, inventiva e criativa (Galzerani, 2008, França, 2015, Cunha, 2016).Item Não se nasce ativista, torna-se: trajetória e militância política de Toni Reis(Universidade Estadual do Paraná, 2025-06-09) Gomes, Izabele de Paula; Mezzomo, Frank Antonio; http://lattes.cnpq.br/3360323221539136; http://lattes.cnpq.br/5408971424378491; Mezzomo, Frank Antonio; http://lattes.cnpq.br/3360323221539136; Pereira, Márcio José; http://lattes.cnpq.br/6428881358629853; Vásquez, Georgiane Garabely Heil; http://lattes.cnpq.br/6859254801887234A abordagem biográfica parte da complexidade das histórias particulares, sendo uma perspectiva importante na ampliação de públicos e do saber histórico para além do espaço acadêmico. O presente estudo tem como objetivo explorar a trajetória de Antônio Luiz Martins Harrad Reis, Toni Reis, gay, professor, ativista e um dos fundadores do Grupo Dignidade, instituição voltada à promoção da cidadania e dos direitos da população LGBTQIA+ em Curitiba, Paraná. Buscamos compreender as vivências do biografado, atentando para as subjetividades e sentidos de sua trajetória pessoal e sua atuação pública. Como parte do corpus empírico, recorremos a jornais de época, realizamos duas entrevistas, uma com nosso personagem e a outra com David Harrad, seu esposo, além de livros autobiográficos, fleyrs e panfletos de campanha eleitoral, documentos institucionais e materiais audiovisuais localizados no Grupo Dignidade. Organizamos a pesquisa a partir de três artigos, assim estruturada: a) análise bibliográfica, cujo objetivo consistiu em entender o que se tem produzido sobre Toni Reis e o Grupo Dignidade; b) a constituição identitária e atuação de Toni Reis no espaço público, em um período marcado pela efervescência da redemocratização e explosão da epidemia do HIV/AIDS, entre as décadas de 1980 e nos anos 1990; e c) a participação do nosso biografado na campanha eleitoral para o legislativo municipal de Curitiba, Paraná, em 1996. Observamos que a identidade não é uma construção estática e linear, mas um processo dinâmico que dialoga constantemente com o campo de possibilidades. Toni Reis amalgama, em sua vida, concepções oriundas do seio familiar, das experiências vivenciadas e das alianças constituídas na militância política. Entendemos, nesse movimento, que as identidades são fragmentadas, característica marcante das sociedades complexas na contemporaneidade.Item A produção de vodcast como espaço para historiadores: Perguntas e desafios contemporâneos ao Ensino de História(Universidade Estadual do Paraná, 2025-03-20) Ferreira, Daniel da Silva; Pereira, Márcio José; http://lattes.cnpq.br/6428881358629853; http://lattes.cnpq.br/1709303175894421; Pereira, Márcio José; http://lattes.cnpq.br/6428881358629853; Mello, Janaína Cardoso; http://lattes.cnpq.br/4347504450030175; Silva, Cesar Agenor Fernandes da; http://lattes.cnpq.br/3197984540301383Esta trabalho investiga a prática de fazer história no e para os públicos digitais, considerando suas demandas contemporâneas e a necessidade de constante adaptação dos historiadores a novos ambientes midiáticos. A pesquisa tem como foco a produção de vodcasts (vídeos em formato de podcast), disponibilizados na plataforma YouTube, que se consolida como o principal canal de divulgação do material desenvolvido. A metodologia adotada baseia-se em entrevistas guiadas por roteiros temáticos previamente elaborados, abordando questões consideradas desafiadoras para historiadores-docentes, conforme identificado pelo pesquisador. O estudo está ancorado no campo da História Pública, compreendido como um espaço que valoriza tanto a difusão do conhecimento histórico quanto o compartilhamento humanizado de narrativas no ambiente digital. Ao todo, foram realizadas e publicadas oito entrevistas, que apresentam, de forma clara e acessível, as experiências e reflexões dos profissionais envolvidos. Os resultados indicam a ampliação das possibilidades de interação entre a historiografia e os públicos digitais, bem como o fortalecimento de diálogos plurais no ensino e na comunicação da história em contextos virtuais.Item Do velho ao Novo Cangaço: cenas públicas do crime organizado (2015-2024)(Universidade Estadual do Paraná, 2025-03-20) Carraro, Thais; Hahn, Fábio André; http://lattes.cnpq.br/5616135738264100; http://lattes.cnpq.br/4991600625826453; Hahn, Fábio André; http://lattes.cnpq.br/5616135738264100; Sentone, Rafael Gomes; http://lattes.cnpq.br/7172948746383900; Chelala, Claudia Maria do Socorro Cruz Fernandes; http://lattes.cnpq.br/2609614137392991; Júnior, Celso Vila Nova de Souza; http://lattes.cnpq.br/9496068959100116presente investigação propõe-se a analisar uma modalidade emergente e complexa de assaltos a instituições financeiras e empresas de transporte de valores no Brasil, que, a partir de 2015, consoli-dou-se no léxico popular, policial e jornalístico como "Novo Cangaço". Percebido como uma afronta à soberania estatal, tal fenômeno é caracterizado pela atuação de grupos criminosos que empregam veí-culos blindados, artefatos explosivos e armamentos de alto poder bélico e de uso restrito, efetuam a tomada de reféns e o ataque coordenado a pontos estratégicos do espaço público. Neste contexto, o objetivo deste trabalho é estabelecer um processo reflexivo acerca do fenômeno histórico do "antigo cangaço" em contraponto ao "Novo Cangaço" da criminalidade contemporânea. Esta análise não se desenvolverá sob uma ótica meramente comparativa, mas sim através de uma análise dos textos jorna-lísticos produzidos sobre o assunto, com o intuito de evidenciar, em cada recorte noticioso ou frame imagético, a reconfiguração do espaço público como palco para a perpetração delituosa. Adicional-mente, pretende-se estabelecer um campo de discussão em torno dos elementos que conferem "novi-dade" a esta modalidade criminosa, explorando as aproximações e os distanciamentos em relação ao cangaço histórico. Serão igualmente abordadas as distinções conceituais entre os termos como "Novo Cangaço", "Cangaço Noturno" e "Domínio de Cidades", frequentemente empregados para designar ações similares. Por fim, propõe-se uma reflexão sobre a intersecção entre a História Pública e a Segu-rança Pública, buscando delinear um caminho para uma história construída com o público. Tal abor-dagem visa identificar as principais ameaças à segurança pública e, consequentemente, subsidiar a formulação de estratégias de enfrentamento mais eficazes.