A Complexidade Ecossistêmica em Startups Deep Dech: Interdependências, Barreiras e Estratégias
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Data
2026-03-13
Autores
Orientadores
Programa
PALI
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Editor
Universidade Estadual do Paraná
Resumo
Startups deep tech são empresas baseadas em ciência avançada, com alto risco e grande potencial de impacto, fundamentadas em avanços científicos complexos em longos ciclos de maturação, o que as torna dependentes de ecossistemas colaborativos robustos. Embora a literatura sobre ecossistemas de inovação e deep tech tenha avançado nos últimos anos, ainda são limitados os estudos empíricos que examinam como essas organizações enfrentam barreiras estruturais, mobilizam estratégias e aninham e transitam entre diferentes ecossistemas. Diante desse contexto, este estudo busca responder à seguinte pergunta de pesquisa: Como uma startup deep tech do setor genético identifica barreiras, seleciona estratégias e orquestra suas relações em múltiplos ecossistemas interdependentes ao longo de sua trajetória? Esta pesquisa teve como objetivo identificar e inter-relacionar as barreiras e estratégias temporais que influenciam o desenvolvimento de uma startup deep tech brasileira do setor genético, e analisar como ela orquestra e transita entre diferentes camadas de ecossistemas ao longo de sua trajetória. A metodologia de abordagem qualitativa inclui: (i) Revisão Sistemática da Literatura; (ii) Entrevistas semiestruturadas; (iii) análise de conteúdo; (iv) Modelagem Estrutural Interpretativa; e (v) análise Fuzzy MICMAC. Os resultados revelaram que as barreiras estruturantes (raízes) do sistema são a falta de regulamentação específica, a alta burocracia e a baixa maturidade organizacional, as quais condicionam gargalos operacionais e resultam em altos custos de pesquisa e desenvolvimento e necessidade de elevado investimento em capital humano. Para mitigá-los, a startup utiliza um núcleo estratégico focado em governança colaborativa, parcerias estratégicas e posicionamento técnico. No que tange à orquestração entre diferentes tipos de ecossistemas, o estudo demonstra que a startup não opera em um único ambiente, mas em configurações aninhadas de ecossistemas de conhecimento, empreendedor, de inovação e de negócios. Identificou-se uma "transição cumulativa", na qual a startup avança comercialmente sem abandonar suas bases científicas, atuando como orquestradora por meio de uma governança híbrida (centralização estratégica e descentralização operacional). Conclui- se que o sucesso das startups deep tech reside na capacidade de modular e recombinar recursos em múltiplas camadas, garantindo vantagem competitiva em ambientes de alta incerteza e o estudo contribui ao integrar barreiras e estratégias e propor um modelo de ecossistemas aninhados que explica a dinâmica de desenvolvimento de uma startup deep tech.
Abstract
Deep tech startups have emerged as engines of high-impact innovation, grounded in complex scientific advances and characterized by long maturation cycles, which make them highly dependent on robust collaborative ecosystems. Although the literature on innovation ecosystems and deep tech has advanced in recent years, empirical studies examining how these organizations confront structural barriers, mobilize strategies, and embed and transition across different ecosystems remain limited. This study aimed to identify and interrelate the barriers and temporal strategies that influence the development of a Brazilian deep tech startup in the genetics sector, and to analyze how it orchestrates and transitions among different ecosystem layers throughout its trajectory. The methodology followed the Design Research Methodology, employing a qualitative and multimethod approach that included: (i) a Systematic Literature Review; (ii) 44 semi-structured interviews with various ecosystem actors; (iii) content analysis; (iv) Interpretive Structural Modeling; and (v) Fuzzy MICMAC analysis. The results reveal that the system’s foundational (root) barriers are the lack of specific regulation, high bureaucratic burden, and low organizational maturity, which condition operational bottlenecks and result in high research and development costs and the need for substantial investment in human capital. To mitigate these challenges, the startup employs a strategic core focused on collaborative governance, strategic partnerships, and technical positioning. Regarding orchestration across different ecosystem types, the study demonstrates that deep tech startups do not operate within a single environment but rather within nested configurations of knowledge, entrepreneurial, innovation, and business ecosystems. A “cumulative transition” was identified, in which the startup advances commercially without abandoning its scientific foundations, acting as an orchestrator through hybrid governance (strategic centralization combined with operational decentralization). The findings indicate that the success of deep tech startups lies in their ability to modulate and recombine resources across multiple ecosystem layers, ensuring sustainability and competitive advantage in highly uncertain environments.
Palavras-chave
ecossistemas de inovação; orquestração de ecossistemas; nested.