O valor nacional de Villa-Lobos, segundo Mario Pedrosa
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Data
2026-04-17
Autores
Orientadores
Programa
PPGMUS
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Editor
Universidade Estadual do Paraná
Resumo
Mario Pedrosa é até hoje, 45 anos após sua morte, considerado um dos mais importantes críticos de arte do Brasil, no entanto escreveu sobre uma ampla gama de manifestações culturais, como a arquitetura, o teatro, o cinema e a música. Em novembro de 1929, La Revue Musicale, revista francesa de vanguarda, publicou um ensaio de Pedrosa intitulado Villa-Lobos e seu povo: o ponto de vista brasileiro. O foco de investigação escolhido na presente pesquisa foi a maneira como Pedrosa atribui à música de Villa-Lobos o valor nacional. Procurou-se, assim, investigar a juventude intelectual de Pedrosa, sua origem e trajetória social, bem como seus primeiros posicionamentos sobre o debate cultural da época, para compreender quais elementos constituiram sua maneira de abordar a música nacional, especificamente em Villa-Lobos. Cartas, depoimentos de Pedrosa, amigos, familiares e intelectuais modernistas próximos, além de jornais noticiando os eventos culturais da época, foram consultados para tal fim. Autores como Tarcila Formiga e Marcelo Ribeiro Vasconcelos, que analisaram a juventude de Mário de Pedrosa sob uma perspectiva social, ofereceram elementos-chave nesse assunto. As dissertações de Eduardo Jardim de Moraes sobre a filosofia modernista, e de Paulo Guérios sobre a construção social de Villa-Lobos como compositor brasileiro de renome, foram amplamente utilizadas. A formação intelectual cosmopolita de Pedrosa, que integrava referências europeias e elementos do modernismo brasileiro, resulta em um projeto crítico que oscilava entre o universalismo e o nacionalismo. A proximidade com Elsie Houston, Mário de Andrade e intelectuais da Antropofagia marcam um período com maior número de referências à música e à língua brasileira no discurso de Pedrosa, mas não resultam na adesão plena a nenhuma das correntes modernistas. Ainda assim, Pedrosa usa concepções modernistas sobre a nação no seu texto sobre Villa-Lobos, ao defender que a música do compositor é expressão da “alma”, “raça” e “natureza” brasileiras. Pedrosa cita e utiliza amplamente o Ensaio sobre música brasileira de Mário de Andrade para tratar da formação musical brasileira, com foco no aspecto rítmico, e identificá-la na raiz da música de Villa-Lobos. Mário de Andrade, no entanto, não considerava “brasileira” a música de VillaLobos, e sim uma falsificação da música nacional, por utilizar elementos considerados típicos brasileiros para conferir à sua obra, que era antes de tudo inspirada na técnica europeia, um aspecto “exótico” apreciado pelos europeus. De fato, a transposição realizada por VillaLobos de elementos considerados nacionais para os seus Choros sinfônicos é mediada antes de tudo pela técnica orquestral de Stravinsky, mas tanto Villa-Lobos quanto Pedrosa, que se tornaram amigos em Paris, defendem uma suposta orginalidade brasileira dos Choros no ritmo e na forma. O valor nacional na posição de Pedrosa é ao mesmo tempo positivo, pois confere à música de Villa-Lobos um atestado de originalidade, e negativo, pois é reduzido ao signo do “exótico”, “bárbaro” e “primitivo” para conquistar a audiência europeia.
Abstract
Mario Pedrosa is still considered, 45 years after his death one of Brazil’s most important brazillian arts critic. However, he wrote about a wide range of cultural manifestations, such as architecture, theatre, cinema and music. In 1929 november, La Revue Musicale, a French avant-guard maganize, published an essay by Pedrosa named Villa-lobos and his people: the brazillian point of view. The focus of this research was the way Pedrosa attributes a national value to the music of Villa-Lobos. Thus, this study sought to investigate Pedrosa’s intellectual youth, his origins and social trajectory, as well as his early stances on the cultural debate of his time, in order to understand which elements shaped his approach to national music, specifically in relation to Villa-Lobos’ music. Letters, testimonies from Pedrosa, friends, family member and modernist intelectuals from his social circle, as well as newspapers reporting on the cultural events of that time, were consulted. Authors such as Tarcila Formiga and Marcelo Ribeiro Vasconcelos, who analyzed Mario Pedrosa’s youth under a social pespective, provided key insights on this subject. The dissertations of Eduardo Jardim de Moraes on brazilian modernist philosophy, and Paulo Guérios on the social construction of Villa-Lobos as a renowned brazilian composer, were extensively used. Pedrosa’s cosmopolitan intellectual formation, which integrated european references and elements of Brazilian modernism, lead to a critical formulation that oscillated between universalism and nationalism. The proximity to Elsie Houston, Mário de Andrade and intelectuals associated to the Antropophagy movement markeda period with a higher number of references to brazilian music and language on Pedrosa’s discourse, without resulting on full adherence to any of the modernist currents. Yet, Pedrosa uses modernist conceptions of the nation in his text on Villa-Lobos by arguing that the composer’s music is an expression of the brazillian “soul”, “race” and “nature”. Pedrosa cites and employs Mário de Andrade’s Essay on brazillian music to discuss the shaping of brazillian music, focusing on the rithmic aspect, and to identify it as the root of Villa-Lobos’ music. Mário de Andrade, however, didn’t consider Villa-Lobos’ music to be “brazillian”; rather, he viewed it as a falsification of national music, since the composer used musical elements considered to be “tipically” brazillian to give his works an “exotic” quality aprecciated by Europeans. Indeed, Villa-Lobos’s transposition of elements considered national into his symphonic Choros was mediated above all by Stravinsky’s orchestral technique. Yet both Villa-Lobos and Pedrosa, who became friends in Paris, defended the supposed Brazilian originality of the Choros in terms of rhythm and form. In Pedrosa’s position, national value is both positive, because it grants Villa-Lobos’s music a certificate of originality, and negative, because it is reduced to the sign of the “exotic”, “barbaric,” and “primitive” in order to win over European audiences.
Palavras-chave
Mario Pedrosa, Villa-Lobos, identidade nacional, crítica musical, modernismo