Narrar para existir: memórias em trânsito em documentários sobre a ditadura (1964-1985)

dc.contributor.advisorAmboni, Vanderlei
dc.contributor.advisorLatteshttp://lattes.cnpq.br/9250782741810709
dc.contributor.authorOliveira, Alexsandro Araújo
dc.contributor.authorLatteshttp://lattes.cnpq.br/5619305650956095
dc.contributor.referee1Amboni, Vanderlei
dc.contributor.referee1Latteshttp://lattes.cnpq.br/9250782741810709
dc.contributor.referee2Mezzomo, Frank Antonio
dc.contributor.referee2Latteshttp://lattes.cnpq.br/3360323221539136
dc.contributor.referee3Queiroz, Andréa Cristina de Barros
dc.contributor.referee3Latteshttp://lattes.cnpq.br/1838955922491509
dc.date.accessioned2026-05-18T13:55:29Z
dc.date.available2026-05-18
dc.date.available2026-05-18T13:55:29Z
dc.date.issued2025-03-30
dc.description.abstractEste trabalho parte de uma premissa fundamental: a memória não é um arquivo morto, um depósito de lembranças intactas à espera de serem resgatadas. Ela é, antes de tudo, um processo vivo, dinâmico e essencialmente político, um fluxo constante que se transforma ao circular entre sujeitos, tempos, suportes e contextos. É essa caracterização que buscamos capturar com a noção de memória em trânsito, ferramenta conceitual que desenvolvemos ao longo da pesquisa. Para mostrar seu potencial analítico, foram estudados sete documentários para compreender como as lembranças do período ditatorial brasileiro se movimentam, se reinventam e ganham (ou perdem) potência de intervenção no presente. Os sete documentários aqui analisados não foram escolhidos apenas por tratarem da ditadura militar sob diferentes enfoques, mas porque ajudam a pensar e a consolidar a própria noção de memória em trânsito. São eles: Que Bom Te Ver Viva (Lúcia Murat), Procura-se Irenice (Marco Escrivão e Thiago Mendonça), Retratos de Identificação (Anita Leandro), Testemunhos da Tortura: Ditadura Militar em Belo Horizonte (Catherine Dias Rodrigues), Hércules 56 (Silvio Da-Rin), Chapeleiros (Adrian Cooper) e O Chapéu do Meu Avô (Julia Zakia). Cada um, a seu modo, revela como as lembranças se deslocam no tempo, se reconfiguram no encontro com novos públicos e se transformam em campo de disputa simbólica. São obras que não apenas registram memórias, mas as colocam em circulação, fazendo do cinema um espaço privilegiado para observar o trânsito memorial em ação. Ademais, a reunião dessas obras se justifica justamente por compartilharem um traço comum fundamental: a articulação entre memória e violência de Estado no contexto da ditadura instaurada em 1964, mas, mais do que isso, por fazerem dessa articulação um dispositivo de ativação política. O eixo memória–ditadura–testemunho que as organiza se desdobra em pontos de convergência, como a utilização de arquivos como material de confrontação e a recusa do esquecimento como imperativo ético. O que procuramos demonstrar é que a potência da memória não está em sua pretensa fidelidade ao passado, mas em sua capacidade de se mover, de se conectar com novos presentes, de ser narrada e compartilhada. Caso contrário, ela se apaga, desaparece e morre. Como principal contribuição da pesquisa, a noção de memória em trânsito desloca o foco da História Pública da simples transmissão de conteúdos para a análise das condições de circulação do passado, isto é, quem pode narrar, o que pode ser visto e quais memórias são legitimadas ou silenciadas. A noção, neste sentido, atua como crítica à cristalização de narrativas históricas. Em vez de promover consensos ou versões pacificadas do passado, ela enfatiza o conflito e a pluralidade. Assim, a História Pública torna-se um campo de disputa contínua de sentidos, no qual o passado é constantemente (re)avaliado. Em relação à autoridade compartilhada, a memória em trânsito desloca o debate, no que a autoridade sobre o passado não é vista como algo simplesmente distribuído entre historiadores e públicos, mas um efeito instável de disputas e condições de visibilidade, indicando que mesmo em práticas colaborativas persistem assimetrias e conflitos. A noção permite (re)interpretar as quatro dimensões da História Pública (para, com, pelo e em relação ao público) como posições móveis dentro de um campo de circulação e disputa e não como categorias fixas.
dc.description.resumoThis work is grounded in a fundamental premise: memory is not a dead archive, a repository of intact recollections waiting to be recovered. Rather, it is a living, dynamic, and essentially political process—a constant flow that transforms as it circulates among subjects, temporalities, media, and contexts. It is this characterization that we seek to capture through the notion of memory in transit, a conceptual tool developed throughout the research. To demonstrate its analytical potential, seven documentaries were examined in order to understand how memories of the Brazilian dictatorial period move, reinvent themselves, and gain (or lose) their capacity for intervention in the present. The seven documentaries analyzed here were not chosen solely because they address the military dictatorship from different perspectives, but because they help to think through and consolidate the very notion of memory in transit. They are: Que Bom Te Ver Viva (Lúcia Murat), Procura-se Irenice (Marco Escrivão and Thiago Mendonça), Retratos de Identificação (Anita Leandro), Testemunhos da Tortura: Ditadura Militar em Belo Horizonte (Catherine Dias Rodrigues), Hércules 56 (Silvio Da-Rin), Chapeleiros (Adrian Cooper), and O Chapéu do Meu Avô (Julia Zakia). Each, in its own way, reveals how memories shift over time, are reconfigured through encounters with new audiences, and become sites of symbolic dispute. These works do not merely record memories; they set them in circulation, making cinema a privileged space for observing memorial transit in action. Furthermore, bringing these works together is justified precisely because they share a fundamental common trait: the articulation between memory and state violence in the context of the dictatorship established in 1964. More than that, they turn this articulation into a device of political activation. The memory–dictatorship–testimony axis that organizes them unfolds into points of convergence, such as the use of archives as materials of confrontation and the refusal of forgetting as an ethical imperative. What this study seeks to demonstrate is that the power of memory lies not in its supposed fidelity to the past, but in its capacity to move, to connect with new presents, and to be narrated and shared. Otherwise, it fades, disappears, and dies. As the main contribution of this research, the notion of memory in transit shifts the focus of Public History from the mere transmission of content to the analysis of the conditions under which the past circulates—namely, who is able to narrate, what can be seen, and which memories are legitimized or silenced. In this sense, the concept functions as a critique of the crystallization of historical narratives. Rather than promoting consensus or pacified versions of the past, it emphasizes conflict and plurality. Public History thus becomes a field of ongoing disputes over meaning, in which the past is constantly (re)evaluated. With regard to shared authority, memory in transit reframes the debate insofar as authority over the past is not seen as something simply distributed between historians and publics, but as an unstable effect of disputes and conditions of visibility, indicating that asymmetries and conflicts persist even within collaborative practices. The concept also allows the four dimensions of Public History (for, with, by, and in relation to the public) to be (re)interpreted as mobile positions within a field of circulation and contestation, rather than as fixed categories.
dc.identifier.urihttps://repositorio.unespar.edu.br/handle/123456789/984
dc.languagePortuguês
dc.publisherUniversidade Estadual do Paraná
dc.publisher.countryBrasil
dc.publisher.departmentUNESPAR campus de Campo Mourão
dc.publisher.initialsPPGHP
dc.publisher.programPrograma de Pós-Graduação em História Pública
dc.subjectDitadura; Memória; Memória em trânsito; Documentário.
dc.subject.capesHistória
dc.titleNarrar para existir: memórias em trânsito em documentários sobre a ditadura (1964-1985)
dc.typeDissertação
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