Projeto de vida no currículo paranaense: a educação dos jovens subsumida ao capital
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Data
2025-12-02
Autores
Orientadores
Programa
PPIFOR
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Editor
Universidade Estadual do Paraná
Resumo (Português)
Esta pesquisa vincula-se ao Programa de Pós-Graduação Mestrado em Ensino: Formação Docente Interdisciplinar, da Universidade Estadual do Paraná, Campus Paranavaí. O tema refere-se à análise crítica do Projeto de Vida no estado do Paraná, enquanto um novo componente curricular para o Ensino Médio no Brasil, estabelecido a partir da Lei Federal 13.415/2017. A questão desse trabalho se localiza na seguinte problematização: Quais as intencionalidades educativas do componente curricular Projeto de Vida para a formação da juventude trabalhadora na sociedade capitalista? Nesse sentido, objetiva analisar o Projeto de Vida no Paraná e seus reais desdobramentos para as juventudes da última etapa da Educação Básica, estabelecendo sua relação com as demandas atuais do capital. É uma pesquisa de natureza bibliográfica e documental, amparada no referencial teórico-metodológico do materialismo histórico, a fim de assegurar o entendimento fundamentado do ensino brasileiro. Analisou-se a gênese dessa proposta, que remonta à década de 1990 e até a períodos anteriores e, a partir de uma compreensão das juventudes em sua pluralidade, procurou-se situá-las perante a dualidade de classes que perpassa essa sociabilidade (Marx; Engels, 1848). As mudanças nas formas de organização do trabalho e a influência das diretrizes neoliberais impactaram a escolarização, resultando na substituição de disciplinas essenciais para a compreensão social e humana, que foram substituídas por uma formação amparada no desenvolvimento de competências, habilidades e aspectos socioemocionais. O intuito é promover a inserção das juventudes no mercado de trabalho ou na atividade empreendedora e, para isso, a raiz estrutural dos problemas sociais é omitida. Por intermédio de dados empíricos e da análise do capital (Marx, 1985), confirma-se a permanência de desafios inerentes à essa lógica: desemprego, acirramento da concorrência intercapitalista, pobreza e desigualdade, questões que independem da qualificação dos sujeitos. Conclui-se que o Projeto de Vida, enquanto componente curricular, é mais um instrumento ideológico de conformação da classe trabalhadora, ao subsumir a subjetividade dos jovens à racionalidade do capital e propagar o discurso de que a realização pessoal e profissional está atrelada ao esforço individual. Esse componente curricular reafirma assim a subordinação da educação à lógica mercantil, convertendo o ideal de protagonismo em mecanismo de responsabilização individual e de manutenção de desigualdades. É preciso considerar que ele falsifica a realidade estrutural ao ocultar as contradições fundantes do capitalismo e ao legitimar, sob o discurso da liberdade, da empregabilidade e do empreendedorismo, a reprodução das condições objetivas de dominação e exploração. Concebe-se que não basta os jovens traçarem planos de futuro, pois a realidade objetiva não é condicionada por vontades, mas pela dinâmica própria da forma social regida pelo capital.
Abstract (English)
This doctoral research, situated within the Graduate Program in Teaching: Interdisciplinary Teacher Education at the State University of Paraná (UNESPAR), critically examines the Projeto de Vida as instituted in the state of Paraná, a curricular component introduced nationally through Federal Law 13.415/2017 as part of the recent reconfiguration of Brazilian Upper Secondary Education. The study is guided by the central question: What educational intentions underpin the Projeto de Vida for the formation of working-class youth in capitalist society? Grounded in the theoretical– methodological framework of historical materialism, this bibliographic and documentary investigation seeks to analyze the political, economic, and ideological foundations that shape the implementation of Projeto de Vida and its implications for youth in the final stage of Basic Education. The research traces the genealogy of this proposal, whose roots extend to the 1990s and earlier, and situates contemporary youth within the class duality that structures capitalist sociability. It argues that transformations in labor organization, combined with the influence of neoliberal directives, have reshaped schooling by replacing essential disciplines devoted to critical social and human understanding with curricula oriented toward competencies, skills, and socio-emotional regulation. These shifts align education with the immediate demands of the labor market and entrepreneurial activity, while systematically obscuring the structural causes of social inequality. Empirical data and the critique of capital reveal the persistent challenges intrinsic to this mode of production unemployment, intensifying intercapitalist competition, poverty, and inequalityconditions unaffected by individual qualification. In this context, Projeto de Vida emerges as an ideological apparatus that subsumes youth subjectivity under the rationality of capital, reinforcing narratives of meritocracy and personal responsibility. By framing life trajectories as matters of individual effort, it reaffirms the subordination of education to market logic and converts the rhetoric of protagonism into a mechanism for reproducing structural inequalities. The study concludes that the Projeto de Vida, as a curricular component, mystifies the material conditions of existence by concealing the contradictions inherent to capitalism. Under the guise of freedom, employability, and entrepreneurship, it legitimizes the reproduction of domination and exploitation. It asserts that future aspirations cannot be detached from the objective dynamics of the capitalist social form, within which individual will is constrained by historically determined structural relations.