Divisão sexual e racial do trabalho na atenção primária à saúde do município de Maringá/PR

Nenhuma Miniatura disponível
Data
2026-05-18
Programa
PPGSeD
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual do Paraná

Resumo (Português)

Esta dissertação insere-se no campo das discussões sobre o trabalho de cuidado, historicamente invisibilizado e desvalorizado por estar associado às construções socioculturais que vinculam o cuidado ao feminino. No contexto da Atenção Primária à Saúde (APS), universo desta pesquisa, o trabalho de cuidado assume contornos complexos, constituindo-se a partir de múltiplas dimensões — físicas, relacionais, psicológicas, emocionais, assistenciais, educativas, afetivas e territoriais — que extrapolam os limites formais das atribuições institucionais. Inserida na área de concentração Sociedade e Desenvolvimento, a pesquisa tem como objeto o cuidado exercido pelas(os) profissionais atuantes na APS do município de Maringá/PR. A investigação adota uma perspectiva interdisciplinar, mobilizando as categorias analíticas da divisão sexual e racial do trabalho e da interseccionalidade, o que possibilita compreender os atravessamentos de gênero, raça/etnia e classe social na relação das(os) trabalhadoras(es) com o exercício do cuidado. O presente estudo foi desenvolvido na área de concentração Sociedade e Desenvolvimento, na linha de pesquisa Formação Humana, Processos Socioculturais e Instituições", estando vinculado ao projeto de pesquisa da orientadora, intitulado “Reflexões sobre as expressões de opressão patriarcal e da exploração capitalista”, ao qual se articula teórica e metodologicamente. O objetivo geral consiste em compreender as consequências da responsabilização pelo exercício do cuidado, no contexto da divisão sexual e racial do trabalho, a partir da perspectiva das(os) profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) do município de Maringá/PR, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Como objetivos específicos buscamos: refletir sobre o conceito de cuidado, a partir da relação com a construção sociocultural do gênero feminino; analisar o conceito e a prática da divisão sexual e racial do trabalho no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS); compreender as várias dimensões do exercício do cuidado, a partir da interseccionalidade de gênero, raça/etnia e classe social, na perspectiva dos(as) profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS); e, refletir, a partir dos dados qualitativos, sobre as variáveis que afetam a vida das(os) profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) do município de Maringá/PR. A pesquisa é de caráter qualitativo, fundamentada em levantamento bibliográfico, análise de documentos públicos e realização de entrevistas semiestruturadas com profissionais da APS. Para a análise dos dados, as informações foram organizadas em dois blocos: perfil das(os) participantes e resultados das questões subjetivas, sendo estes últimos analisados a partir de dois eixos: a naturalização do cuidado: gênero, família e responsabilização; e o cuidado como trabalho na APS: sentidos e consequências na experiência das(os) profissionais. Os resultados evidenciam que a responsabilização das mulheres pelo cuidado, articulando o espaço doméstico e profissional, interfere diretamente nas subjetividades das(os) trabalhadoras(es), além de produzir impactos físicos, emocionais e psicológicos. Tais consequências manifestam-se de forma interligada, ainda que, em alguns casos, predominem dimensões específicas, como sobrecarga física ou o adoecimento mental. Concluímos que o estudo contribui para a visibilização e valorização do trabalho de cuidado na APS, destacando a necessidade de fortalecimento de ações voltadas às(aos) próprias(os) trabalhadoras(es), de modo a promover o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, bem como de oportunizar a circularidade e a reciprocidade do cuidado.

Abstract (English)

This dissertation is situated within the field of discussions on care work, which has historically been rendered invisible and devalued due to its association with sociocultural constructions that link care to femininity. In the context of Primary Health Care (Atenção Primária à Saúde — APS), which constitutes the empirical field of this research, care work assumes complex contours, being constituted through multiple dimensions — physical, relational, psychological, emotional, assistive, educational, affective, and territorial — that extend beyond the formal boundaries of institutional roles.Situated within the field of Society and Development, this study focuses on the care practices carried out by professionals working in APS in the city of Maringá, Paraná, Brazil. The research adopts an interdisciplinary perspective, drawing on the analytical categories of the sexual and racial division of labor and intersectionality, which makes it possible to understand how gender, race/ethnicity, and social class intersect in shaping workers’ relationships with care practices. This study is situated within the concentration area of Society and Development, specifically in the research line of Human Formation, Sociocultural Processes and Institutions. Furthermore, it is linked to the advisor research project, “Reflections on the Expressions of Patriarchal Oppression and Capitalist Exploitation,” with which it engages both theoretically and methodologically. The general objective is to understand the consequences of the responsibility for care work within the context of the sexual and racial division of labor, from the perspective of professionals working in APS in the municipality of Maringá, within the Brazilian Unified Health System (Sistema Único de Saúde — SUS). The specific objectives are: to reflect on the concept of care in relation to the sociocultural construction of femininity; to analyze the concept and practice of the sexual and racial division of labor within Primary Health Care; to understand the multiple dimensions of care work from an intersectional perspective of gender, race/ethnicity, and social class; and to reflect, based on qualitative data, on the factors that affect the professional lives of APS workers in Maringá. This is a qualitative study, based on bibliographic research, analysis of public documents, and semi-structured interviews with APS professionals. For data analysis, the material was organized into two blocks: participants profiles and the results of subjective questions. The latter were analyzed based on two axes: the naturalization of care work: gender, family, and responsibility; and care as work in APS, meanings and consequences in the experiences of professionals. The findings show that the responsibility assigned to women for care work, articulating domestic and professional spheres, directly affects workers’ subjectivities, in addition to producing physical, emotional, and psychological impacts. These consequences manifest in an interconnected manner, although in some cases specific dimensions may predominate, such as physical overload or mental illness. It is concluded that this study contributes to the visibility and recognition of care work in APS, highlighting the need to strengthen actions aimed at supporting workers themselves, in order to reinforce Primary Health Care and promote the circulation and reciprocity of care.
Citação
SILVEIRA, Lívia Maria. Divisão sexual e racial do trabalho na atenção primária à saúde do Município de Maringá/PR. 218f. Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar Sociedade e Desenvolvimento, Universidade Estadual do Paraná, Campus de Campo Mourão, Campo Mourão/PR, 2026.
Link de Material Relacionado