Artificação incomum: a legitimação de Arthur Bispo do Rosário na arte contemporânea

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Data
2026-06-15
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PPGAV
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Universidade Estadual do Paraná
Resumo
A presente dissertação analisa o processo de legitimação de Arthur Bispo do Rosário como artista contemporâneo no campo institucionalizado de arte. A pesquisa visa compreender os discursos, rótulos e agentes do campo da arte que reforçam ou não a classificação de Bispo como artista, analisando-o para além de categorias como artista “incomum” ou “marginal”. A pesquisa também aborda de que forma agentes do campo artístico e da mídia justificam rótulos e comparações que legitimam Bispo enquanto artista. São trabalhados os conceitos-chave relacionados à definição de arte formulada pela filosofia analítica, bem como a teoria semântica da arte e o conceito de “mundo da arte” de Arthur Danto (2005). Também se mobilizam o conceito de artificação, formulado por Nathalie Heinich e Roberta Shapiro (2013), e a teoria antropológica de Alfred Gell, especialmente o conceito de “agência”. Aborda-se tais temas a partir da interpretação de documentos, dissertações, notícias de jornal, críticas, catálogos expositivos, obras biográficas, sites e arquivos de mídias digitais relacionados a produção, exposição e recepção das obras de Bispo entre 1982 e 2000, além da análise de sua relação com os movimentos de Art Brut, a Arte Incomum e Arte Povera. Como resultado da pesquisa, percebese que há diferentes momentos e perspectivas de agência e paciência na vida e na obra de Bispo. Além disso, seu caso é compreendido como um processo contínuo de artificação, sustentado por duas formas principais de legitimação: uma baseada em um conceito aberto de arte e nas “semelhanças de família”; outra fundamentada em uma justificativa contextual e histórica vinculada à teoria semântica da arte de Danto (2005).
Abstract
This dissertation analyzes the process of legitimizing Arthur Bispo do Rosário as a contemporary artist within the institutionalized art field. The research aims to understand the discourses, labels, and agents within the art field that reinforce or undermine Bispo's classification as an artist, considering him beyond labels such as “unusual” or “marginal”. The research also addresses how these agents within the art and media fields justify artistic labels and comparisons that legitimize Bispo as an artist. Key concepts related to the definition of art formulated by analytical philosophy are explored, as well as the semantic theory of art and Arthur Danto's (2005) concept of the “art world”. The concept of artification, formulated by Nathalie Heinich and Roberta Shapiro (2013), and Alfred Gell's anthropological theory, especially the concept of “agency”, are also employed. The topics discussed are addressed through the analysis of documents, dissertations, newspaper articles, reviews, exhibition catalogs, biographical works, websites, and digital media archives related to the production, exhibition, and reception of Bispo's works between 1982 and 2000, as well as an analysis of his relationship with the Art Brut, Arte Incomum, and Arte Povera movements. Based on the research reflections, it becomes clear that there are different moments and perspectives of agency/patience in Bispo's life and work. Furthermore, Bispo's case is considered a continuous artification, with two main forms of legitimation: one that operates from an open concept of art and “family resemblances”, and another that operates from a contextual and historical justification based on Danto's (2005) the semantic theory of art.
Palavras-chave
Arthur Bispo do Rosário, Artificação, Arte Contemporânea, Arte e Loucura, Agência Artística
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