Navegando por Autor "Pereira, Camila Lopes"
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Item Oferenda vetada: a censura política ao álbum Oferenda (1981), de Padre Zezinho(Universidade Estadual do Paraná, 2026-07-14) Pereira, Camila Lopes; Mendonça, Joêzer de Souza; https://orcid.org/0000-0001-8418-4131; http://lattes.cnpq.br/2256239523620698; http://lattes.cnpq.br/5856752730469188; Serrato, Andréia Cristina; https://orcid.org/0000-0003-0150-0413; http://lattes.cnpq.br/7542418662102466; Yáñez, José Luis Manrique; https://orcid.org/0000-0003-3163-8843A presente dissertação investiga o veto político imposto em 1981 pela Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP) ao álbum Oferenda, de Padre Zezinho scj (José Fernandes de Oliveira). O objetivo central desta pesquisa é contextualizar as engrenagens institucionais de monitoramento e repressão cultural direcionadas à produção musical cristã, especialmente católica, durante o processo de abertura política do regime civil-militar brasileiro. Metodologicamente, o trabalho articula a análise de fontes primárias textuais e fonográficas, cruzando o requerimento de letras que comporia o álbum (nº 26538/81-SR/SP) e mais 4 documentos oficiais sigilosos, obtidos no Sistema de Informações do Arquivo Nacional (SIAN), que trazem o nome do padre, com um detalhado levantamento na Hemeroteca Digital Brasileira. Teoricamente, a investigação fundamenta-se na biografia do compositor, na literatura produzida por ele, nos conceitos de Segurança Nacional concebidos e praticados à época, que orientavam o treinamento técnico dos censores federais. Os resultados evidenciam que a poética musical de Oferenda — expressa em temáticas como a fome, a tirania e os conflitos fundiários ligados ao "binômio homem x terra" — alinhava-se às diretrizes teológicas da III Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, o Documento de Puebla (1979), incorporando a opção preferencial pelos pobres. Demonstra-se que o cerceamento sofrido pelo artista não se configurou como um ato arbitrário, fruto da subjetividade de um funcionário público, mas como uma ação estratégica e política do Estado. O regime percebia a canção religiosa popular de viés crítico, interpretada por um líder de massas de perfil social-democrata e solidário, como potencial ferramenta de conscientização e mobilização social que deveria ser vigiada e controlada. Conclui-se que o episódio estende as fronteiras tradicionais da Canção de Protesto no Brasil, inserindo a música católica engajada como um relevante território de dissidência, manifestação de coragem civil e resistência à opressão estatal.