Navegando por Autor "CAMARGO, Felipe da Silva"
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Item O pertencer athleticano: um estudo etnomusicológico das torcidas na Arena da Baixada(Universidade Estadual do Paraná, 2026-05-07) CAMARGO, Felipe da Silva; OLIVEIRA, Allan de Paula; http://lattes.cnpq.br/5506766415099780; http://lattes.cnpq.br/8174261024759736; MARCON, Fernanda; http://lattes.cnpq.br/5574911786614860; GARSON, Marcelo; http://lattes.cnpq.br/1853885425732276Esta pesquisa investiga os rituais e as performances musicais dos torcedores da arquibancada 321, do Club Athletico Paranaense (CAP) dentro do seu estádio, a Arena da Baixada. O estudo ocorreu entre o segundo semestre de 2024 e o final de 2025, abrangendo o final do ano em que se comemorou o centenário do clube, período em que observei os seis últimos jogos na Série A, e também o início da Série B e a Copa do Brasil de 2025. O referencial desta dissertação baseia-se na teoria do processo civilizador de Norbert Elias e na discussão sobre identidade na pós-modernidade de Stuart Hall. Além disso, a pesquisa contempla um levantamento das canções da Torcida Organizada Os Fanáticos (TOF), assim como uma proposta de categorização das músicas, segundo o conceito apresentado sobre o tema nos estudos de Luiz Henrique de Toledo. A metodologia se deu por meio de uma perspectiva etnográfica e também da coleta de dados nas redes sociais, em streamings de música e em outros sites que hospedam informações relevantes sobre as músicas e sobre os torcedores do clube. Para entender as práticas sobre os torceres athleticanos, primeiro, foi necessário investigar o que a legislação brasileira considera ser um torcedor e uma torcida organizada. Com esta ancoragem feita, inicia-se uma exploração em aspectos sociais, nos valores e na simbologia que o clube busca creditar a seus apoiadores. Em meio a essa construção da narrativa sobre o que é ser athleticano, apresento alguns pontos de resistência, de contradição e inflexão institucional e também nas culturas torcedoras observadas. Como resultado, a pesquisa identificou que a música, e seu poder simbólico, não apenas consegue unificar comunidades e auxiliar na criação de uma atmosfera catártica na Arena da Baixada, mas também pode impactar e diluir grupos, servindo como um exemplo do que não fazer, ou não cantar, dependendo de onde você se encontra no estádio, contrapondo os discursos populares de que a torcida é uma grande massa irracional que canta e agride sonoramente todos aqueles que podem ser considerados os seus adversários. Além disso, o estudo identificou alguns valores sociais aplicados sobre o cantar e as possíveis estratégias adotadas por esses membros para entrar na comunidade e se mostrar pertencente à Torcida Organizada, ou até mesmo ser visto como um torcedor tradicional, um “torcedor raiz”, na linguagem dos boleiros.