MARQUES, Maria Inez BarbozaAMARAL, Gabriella Marcondes do2026-08-312026-08-312026-08-312026-03-27https://repositorio.unespar.edu.br/handle/123456789/1060Sabe-se que ações afirmativas, como a política de cotas, ampliaram significativamente o acesso de pessoas negras ao Ensino Superior, inclusive oportunizando o percurso desta pesquisadora. Nesse sentido, busco, por meio desta escrevivência, discutir o quanto, em meio a estes avanços, as desigualdades estruturais ainda impactam o acesso e a permanência de mulheres negras a espaços socialmente privilegiados como a docência universitária. Para aprofundar essa temática, delimitamos como objeto da pesquisa, as intersecções de gênero, raça e classe no trabalho docente no Ensino Superior de Umuarama, no Paraná. Assim buscamos problematizar como as intersecções de gênero, raça e classe se manifestam no trabalho docente no Ensino Superior de Umuarama. O estudo foi realizado com docentes das quatro maiores instituições de ensino superior do município, sendo duas públicas (Instituto Federal do Paraná e Universidade Estadual de Maringá) e duas privadas (Universidade Paranaense e Faculdade UniAlfa), com objetivo geral de promover reflexões sobre o trabalho docente, considerando as interseccionalidades de gênero, raça e classe no Ensino Superior do município de Umuarama-Pr e com objetivos específicos de abordar colonialidade e a divisão sexual e racial do trabalho como legados para o Ensino Superior brasileiro; discutir as intersecções e desigualdades de gênero, raça e classe no trabalho docente no Ensino Superior; apresentar o perfil socioeconômico, de formação e atuação profissional das(os) docentes que atuam no Ensino Superior no município de Umuarama; e analisar os dados levantados sob a lente da interseccionalidade. Trata-se de uma pesquisa interdisciplinar, que tem como área de concentração a diretriz “Sociedade e Desenvolvimento” e linha de pesquisa “Formação humana, processos socioculturais e instituições", vinculada ao projeto de pesquisa da orientadora, denominado: “As expressões da opressão patriarcal e da exploração capitalista na sociedade atual.” Assim, articulamos contribuições da Educação, Sociologia, História, além do Feminismo Negro e dos estudos decoloniais e da Interseccionalidade que orientaram as discussões e a análise dos dados. Com abordagem quali-quantitativa, combinamos levantamento bibliográfico e pesquisa de campo, onde aplicamos formulários online (Google Forms) contendo questões sobre o perfil das(os) docentes dessas instituições. Ao todo, obtivemos 52 respostas, que foram sistematizadas quantitativamente e analisadas qualitativamente. Os resultados evidenciam que as heranças coloniais estruturam relações sociais no Brasil, fazendo da docência universitária um espaço ainda privilegiado à hegemonia branca. Essa realidade exige (re)conhecimento, desnaturalização do processo estrutural de desigualdades e ampliação de espaços de escuta e valorização das trajetórias historicamente silenciadas, bem como o fortalecimento de políticas públicas e institucionais comprometidas com a equidade racial e de gênero. Espero, com essa escrevivência, favorecer reflexões sobre o processo de colonização de nosso país, escravização dos nossos povos e estruturação do capitalismo, do racismo e do patriarcado que atravessam nossos corpos de maneiras distintas. Que essas páginas de contextualização, indignação, constatação e discussão possam contribuir com a sociedade e fortaleçam debates na comunidade acadêmica, constituindo-se referência para outros estudos interdisciplinares e interseccionais que abordem gênero, raça e classe e, que sejam, sobretudo, referência de leitura, reflexão e movimentação ético-política para outras mulheres negras, suscitando (r)existência e (outras) escrevivências.Interdisciplinaridade, Ensino Superior, Trabalho Docente, Interseccionalidade.Trabalho docente e as intersecções de gênero, raça e classe no Ensino Superior de Umuarama-PRDissertaçãoInterdisciplinar