EGG, André AcastroROSA, Vinícius Galant da2026-07-162026-07-162026-07-162026-04-17https://repositorio.unespar.edu.br/handle/123456789/1047Mario Pedrosa é até hoje, 45 anos após sua morte, considerado um dos mais importantes críticos de arte do Brasil, no entanto escreveu sobre uma ampla gama de manifestações culturais, como a arquitetura, o teatro, o cinema e a música. Em novembro de 1929, La Revue Musicale, revista francesa de vanguarda, publicou um ensaio de Pedrosa intitulado Villa-Lobos e seu povo: o ponto de vista brasileiro. O foco de investigação escolhido na presente pesquisa foi a maneira como Pedrosa atribui à música de Villa-Lobos o valor nacional. Procurou-se, assim, investigar a juventude intelectual de Pedrosa, sua origem e trajetória social, bem como seus primeiros posicionamentos sobre o debate cultural da época, para compreender quais elementos constituiram sua maneira de abordar a música nacional, especificamente em Villa-Lobos. Cartas, depoimentos de Pedrosa, amigos, familiares e intelectuais modernistas próximos, além de jornais noticiando os eventos culturais da época, foram consultados para tal fim. Autores como Tarcila Formiga e Marcelo Ribeiro Vasconcelos, que analisaram a juventude de Mário de Pedrosa sob uma perspectiva social, ofereceram elementos-chave nesse assunto. As dissertações de Eduardo Jardim de Moraes sobre a filosofia modernista, e de Paulo Guérios sobre a construção social de Villa-Lobos como compositor brasileiro de renome, foram amplamente utilizadas. A formação intelectual cosmopolita de Pedrosa, que integrava referências europeias e elementos do modernismo brasileiro, resulta em um projeto crítico que oscilava entre o universalismo e o nacionalismo. A proximidade com Elsie Houston, Mário de Andrade e intelectuais da Antropofagia marcam um período com maior número de referências à música e à língua brasileira no discurso de Pedrosa, mas não resultam na adesão plena a nenhuma das correntes modernistas. Ainda assim, Pedrosa usa concepções modernistas sobre a nação no seu texto sobre Villa-Lobos, ao defender que a música do compositor é expressão da “alma”, “raça” e “natureza” brasileiras. Pedrosa cita e utiliza amplamente o Ensaio sobre música brasileira de Mário de Andrade para tratar da formação musical brasileira, com foco no aspecto rítmico, e identificá-la na raiz da música de Villa-Lobos. Mário de Andrade, no entanto, não considerava “brasileira” a música de VillaLobos, e sim uma falsificação da música nacional, por utilizar elementos considerados típicos brasileiros para conferir à sua obra, que era antes de tudo inspirada na técnica europeia, um aspecto “exótico” apreciado pelos europeus. De fato, a transposição realizada por VillaLobos de elementos considerados nacionais para os seus Choros sinfônicos é mediada antes de tudo pela técnica orquestral de Stravinsky, mas tanto Villa-Lobos quanto Pedrosa, que se tornaram amigos em Paris, defendem uma suposta orginalidade brasileira dos Choros no ritmo e na forma. O valor nacional na posição de Pedrosa é ao mesmo tempo positivo, pois confere à música de Villa-Lobos um atestado de originalidade, e negativo, pois é reduzido ao signo do “exótico”, “bárbaro” e “primitivo” para conquistar a audiência europeia.Mario Pedrosa, Villa-Lobos, identidade nacional, crítica musical, modernismoO valor nacional de Villa-Lobos, segundo Mario PedrosaDissertaçãoArtes