OLIVEIRA, Allan de PaulaCAMARGO, Felipe da Silva2026-07-032026-07-032026-07-032026-05-07https://repositorio.unespar.edu.br/handle/123456789/1036Esta pesquisa investiga os rituais e as performances musicais dos torcedores da arquibancada 321, do Club Athletico Paranaense (CAP) dentro do seu estádio, a Arena da Baixada. O estudo ocorreu entre o segundo semestre de 2024 e o final de 2025, abrangendo o final do ano em que se comemorou o centenário do clube, período em que observei os seis últimos jogos na Série A, e também o início da Série B e a Copa do Brasil de 2025. O referencial desta dissertação baseia-se na teoria do processo civilizador de Norbert Elias e na discussão sobre identidade na pós-modernidade de Stuart Hall. Além disso, a pesquisa contempla um levantamento das canções da Torcida Organizada Os Fanáticos (TOF), assim como uma proposta de categorização das músicas, segundo o conceito apresentado sobre o tema nos estudos de Luiz Henrique de Toledo. A metodologia se deu por meio de uma perspectiva etnográfica e também da coleta de dados nas redes sociais, em streamings de música e em outros sites que hospedam informações relevantes sobre as músicas e sobre os torcedores do clube. Para entender as práticas sobre os torceres athleticanos, primeiro, foi necessário investigar o que a legislação brasileira considera ser um torcedor e uma torcida organizada. Com esta ancoragem feita, inicia-se uma exploração em aspectos sociais, nos valores e na simbologia que o clube busca creditar a seus apoiadores. Em meio a essa construção da narrativa sobre o que é ser athleticano, apresento alguns pontos de resistência, de contradição e inflexão institucional e também nas culturas torcedoras observadas. Como resultado, a pesquisa identificou que a música, e seu poder simbólico, não apenas consegue unificar comunidades e auxiliar na criação de uma atmosfera catártica na Arena da Baixada, mas também pode impactar e diluir grupos, servindo como um exemplo do que não fazer, ou não cantar, dependendo de onde você se encontra no estádio, contrapondo os discursos populares de que a torcida é uma grande massa irracional que canta e agride sonoramente todos aqueles que podem ser considerados os seus adversários. Além disso, o estudo identificou alguns valores sociais aplicados sobre o cantar e as possíveis estratégias adotadas por esses membros para entrar na comunidade e se mostrar pertencente à Torcida Organizada, ou até mesmo ser visto como um torcedor tradicional, um “torcedor raiz”, na linguagem dos boleiros.Etnomusicologia, Club Athletico Paranaense, Torcida de futebol, Música de estádio, Território sonoroO pertencer athleticano: um estudo etnomusicológico das torcidas na Arena da BaixadaDissertaçãoArtes