Stentzler, Márcia MarleneOliveira, Benedita Rosiane dos Santos2026-10-072026/03/062026-10-072025/11/21https://repositorio.unespar.edu.br/handle/123456789/1079A alfabetização, entendida como o desenvolvimento da leitura e da escrita nos primeiros anos de escolarização, tem se tornado foco das políticas educacionais voltadas à melhoria dos indicadores de aprendizagem. Nesse contexto, a fluência leitora consolidou-se como critério de monitoramento, incorporado às avaliações em larga escala como instrumento diagnóstico e orientador da intervenção pedagógica. Este estudo examina como professoras dos anos iniciais da Escola Municipal Armando João Bateloqui, em Guairaçá–PR, constroem representações sobre leitura, avaliação da fluência e políticas educacionais, articulando os materiais do Programa Educa Juntos, a Avaliação de Fluência do Estado e os registros documentados em seus Diários de Classe. A pesquisa, qualitativa e documental, fundamentase em Lüdke e André (1986) e utiliza a Análise de Conteúdo de Bardin (2016), articulada à perspectiva qualitativa de Minayo (2015). As fontes incluem dois Diários de Classe de 2023, analisados em relação aos materiais instrucionais do Programa Educa Juntos — Lei n.º 21.323 (Paraná, 2023a) — e aos documentos oficiais da Avaliação de Fluência da Secretaria de Estado da Educação. A análise apoia-se na Teoria das Representações Sociais (Moscovici, 1978; Jodelet, 2001) e na Análise do Discurso (Pêcheux, 1975; 1997; Orlandi, 2005), em diálogo com estudos sobre alfabetização e leitura (Soares, 2003; Luckesi, 2011) e com pesquisas contemporâneas acerca da fluência (Hickmann & Guimarães, 2024; Medeiros, Manfré & Shimazaki, 2024; Viana, 2016). Os resultados revelaram um descompasso estrutural entre as orientações pedagógicas do Programa — que enfatizam práticas contextualizadas, diversidade de gêneros e compreensão — e o foco restrito da Avaliação de Fluência, centrado na decodificação e na velocidade de leitura. Os Diários de Classe evidenciaram práticas tensionadas entre prescrições institucionais e realidades pedagógicas: alguns registros aproximam-se das propostas do Programa, enquanto outros retomam abordagens tradicionais, indicando apropriações seletivas, adaptações ou resistências às demandas avaliativas. As professoras também reinterpretam diretrizes segundo suas experiências, crenças e condições concretas de trabalho, demonstrando que a política é materializada de forma não linear. Esses achados evidenciam limites das políticas de avaliação centradas na fluência e reforçam a necessidade de maior coerência entre materiais, formação docente e instrumentos avaliativos, de modo a sustentar práticas efetivamente comprometidas com o desenvolvimento da alfabetização e da competência leitora. Além disso, permitem problematizar o uso da Avaliação de Fluência na produção de indicadores mobilizados politicamente para compor narrativas oficiais de sucesso, especialmente no ranqueamento estadual da alfabetização. A discrepância entre registros docentes, orientações do Programa e resultados divulgados sugere que tais indicadores operam mais como instrumentos de gestão e legitimação governamental do que como expressão fiel dos processos reais de aprendizagem. Nesse sentido, a aparente elevação dos índices de alfabetização no Paraná pode refletir uma lógica de maquiagem avaliativa, e não avanços efetivos na formação de leitores.Alfabetização Fluência em Leitura; Práticas Docentes Representações sociais Políticas de avaliaçãoA avaliação de fluência do programa educa juntos e o ensino de leitura no segundo ano do ensino fundamentalDissertação de MestradoEnsino